|  Por gustavo mehl

Chacina no Complexo do Alemão completa 1 Ano com Ato e Missa Sexta-feira, 10h, na Candelária

Amanhã, 27 de junho, completa um ano da Chacina do Alemão, em que 19 pessoas foram mortas durante uma mega-operação que mobilizou 1.350 policiais. A “mega-operação” do Complexo do Alemão, adotada como modelo de ação pela Secretaria de Segurança Pública, foi na verdade uma ação de extermínio, como apontam o laudo independente produzido pela Secretaria Especial de Direitos Humanos (SEDH) e o Relator da ONU, Phillip Alston, em seu relatório sobre o Brasil. Muitas outras mega-operaçoes foram realizadas deixando um saldo expressivo de mortes nas favelas cariocas.

Para denunciar as ações de extermínio da polícia carioca, será realizado o Ato Pela Vida, Contra o Extermínio, amanhã, sexta-feira, 27 de junho de 2008, a partir das 10 horas, na Igreja da Candelária. Durante o ato os manifestantes carregarão faixas e cartazes com fotos e números de milhares de vítimas de operações policiais do governo Sérgio Cabral. Da igreja a manifestação segue em marcha até a Secretaria de Segurança Pública, na Central do Brasil.

Em comparação aos anos anteriores, o Governo Sérgio Cabral Filho apresenta uma elevação no número de mortos em decorrência dos “autos de resistência”. De acordo com os dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), em 2007, foram registrados 1.330 “autos de resistência” no estado do Rio de Janeiro contra 23 policiais mortos em serviço. O número de civis mortos em “supostos confrontos” com as forças policiais em relação aos de policiais mortos em serviço demonstram uma proporção de 57,8 para 1, ou seja, para cada policial morto em serviço existem quase 58 civis mortos inseridos na categoria de “auto de resistência”. Essas discrepâncias nas ocorrências de “autos de resistência” indicam, invariavelmente, execuções sumárias.

Nos primeiros três meses de 2008, 358 civis foram mortos durante operações policiais no Rio de Janeiro, o que representa um aumento de 12% em relação ao mesmo período de 2007. Se essa média se mantiver, o Estado do Rio de Janeiro registrará 1431 autos de resistência em 2008. Nesse mesmo período, foram 4 os policiais mortos em serviço.

Durante o ato será distribuída uma carta aberta à população, demonstrando que a política de extermínio do governo Cabral não tem tornado o Rio de Janeiro mais seguro; ao contrário, tem contribuído para que o Estado esteja entre os três primeiros no quesito homicídio. Além disso, ao passo que os autos de resistência aumentam sistematicamente, o número de apreensões de armas e drogas tem diminuído nos últimos dois anos.

Informações:

Pela Vida, Contra o Extermínio: