|  Por Justiça Global

Justiça adia o julgamento dos acusados da execução do advogado Manoel Mattos

O julgamento dos cinco acusados do assassinato do defensor dos Direitos Humanos Manoel Mattos foi adiado para o dia 5 de dezembro de 2013. Nesta segunda-feira, dia 18, o júri foi suspenso logo no começo por falta de jurados disponíveis. Dos 25 possíveis, apenas 18 foram convocados a tempo, sendo que seis apresentaram atestados médicos para serem liberados do julgamento, que seria o primeiro federalizado a ser realizado no país.

Para a Justiça Global, o adiamento, apesar de ser um imprevisto, em nada diminui a atenção que será dada a esse julgamento, que mostra uma resposta do Estado brasileiro às demandas da sociedade civil. “Grupos de extermínio como o que matou o Manoel existem em todo o país. É necessária uma nova postura do Estado. Esses grupos são formados muitas vezes por agentes públicos, como policiais militares. É preciso, assim, uma reforma das polícias, com a desmilitarização, assim como de um controle externo das atividades policiais”, disse Sandra Carvalho, coordenadora da Justiça Global.

Morador de Itambé (PE), Mattos investigava as execuções na divisa dos estados – conhecida como “Fronteira do Medo” – que contavam com participação de agentes do Estado, como policiais civis e militares. Para garantir a proteção do advogado nessa ação, a Organização dos Estados Americanos (OEA) concedeu, em 2002, medidas cautelares para que o Estado brasileiro desse proteção ao defensor e sua família. Em 24 de janeiro de 2009, entretanto, Mattos foi assassinado na Paraíba, quando estava há dois anos sem escolta policial.