|  Por Justiça Global

Justiça do Pará julga caso emblemático para defensores de direitos humanos no Brasil

Passados 13 anos do assassinato do sindicalista José Dutra, o Dezinho, em Rondon do Pará, parte dos envolvidos no crime finalmente vai a julgamento, nesta quinta-feira (24), em Belém do Pará. O crime teve repercussão nacional e internacional, chegando a ser analisado pela Organização dos Estados Americanos (OEA). Em dezembro de 2010, o governo brasileiro assinou um acordo com a OEA assumindo sua responsabilidade pelo assassinato de Dezinho e também oferecendo garantias aos seus familiares. A viúva de Dezinho, Maria Joel Costa, conhecida como Joelma, os advogados do caso e organizações de Direitos Humanos afirmam que há imensas dificuldades em conseguir a investigação de todos os envolvidos na morte, assim como a garantia da segurança da família e de outros militantes pela reforma agrária no Pará.

jose_dutra_da_costa-252x300Os participantes do crime que serão levados a juri serão Lourival de Souza Costa e Domício de Souza Neto, que estão entre os acusados de planejar a morte a tiros de Dezinho, pelas mãos do pistoleiro Welington Silva; julgado, condenado, mas atualmente foragido da Justiça. Há ainda acusações de participação do fazendeiro Décio José Barroso Nunes, conhecido como Delsão, no crime. Seu julgamento, porém, não tem data marcada.

Atualmente vivendo sob escolta, Joelma ainda luta pela garantia dos direitos dos trabalhadores rurais do Pará. Em julho deste ano, as famílias assentadas na Fazenda Água Branca, em Rondon do Pará, quase foram expulsas pela Polícia Militar, mesmo com a posse sendo garantida no acordo assinado com a OEA. A Federação dos Trabalhadores na Agricultura (FETAGRI-PA), do qual Joelma faz parte, teve que acionar o governo federal por causa do descumprimento.

“Eu quero que a justiça seja feita porque não podemos mais aceitar que mortes como a do meu marido aconteçam, sem que os mandantes sejam condenados por seus crimes”, disse Joelma. No Pará, dos cerca de 600 casos de assassinatos encomendados, apenas em oito houve a condenação dos mandantes.

Para organizações de Direitos Humanos nacionais e internacionais, como a Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos (SDDH), a Justiça Global e a Frontline Defenders, a investigação e o julgamento dos assassinos de Dezinho, assim como a garantia da segurança de Joelma, sua família e de todos os trabalhadores rurais do Pará não pode mais ser deixada de lado pelos governos estadual e nacional e pelo Judiciário.