|  Por Justiça Global

Nota contra o uso indiscriminado de armas menos letais nas manifestações

Foto: Reprodução da internet

Camisa ensanguentada de um manifestante

O uso indiscriminado de armamentos menos letais se tornou uma triste rotina nas ruas do centro do Rio de Janeiro. O som das bombas, dos helicópteros e a fumaça que cobre as calçadas revelam que, a cada semana que passa, o governo estadual está disposto a subir em mais um grau a truculência com que responde às demandas legítimas de tantas categorias de trabalhadoras e trabalhadores.

Avolumam-se os casos de pessoas atingidas gravemente por armas menos letais. Durante o protesto realizado ontem em frente à Assembleia Legislativa do Estado do Rio por servidores da Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae) e professores do ensino superior, um estudante teve a barriga perfurada por uma bala de borracha. O rapaz teve lesões no fígado e no intestino, e passou por uma cirurgia no hospital Souza Aguiar. Um jornalista também foi atingido por uma bala de borracha no braço.

Em outubro do ano passado, um militante do MTST ficou com uma bala de borracha alojada na panturrilha durante uma violenta desocupação protagonizada pela PM na Avenida Itaoca, próximo à Nova Brasília. Vitor Guimarães se submeteu a uma cirurgia para a retirada do projétil.

Desde os protestos de 2013, a escalada de violência em resposta às manifestações populares já fez diversas vítimas dos armamentos menos letais. O caso mais conhecido talvez seja o do fotógrafo e jornalista da Folha de São Paulo, Sérgio Silva, cujo olho esquerdo foi mutilado por uma bala de borracha disparada pela PM paulista em 13 de junho de 2013. O fotógrafo processou o Estado pela lesão, e o Judiciário inaceitavelmente atribuiu à própria vítima a culpa pela mutilação sofrida.

Casos como esses vem ocorrendo com inaceitável frequência, e demonstram o modo como o Estado decidiu tratar as reivindicações populares ante um cenário de retrocessos e perda de direitos. A cerca que hoje envolve a Casa Legislativa estadual e as escadarias sempre vigiadas por duas dezenas de policiais armados são apenas os indícios mais evidentes na paisagem de um estado que divorciou-se completamente do diálogo democrático e do respeito ao direito à livre manifestação.