Carta Aberta: Justiça e proteção a Paulo Galo

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Reprodução/ Instagram
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A Justiça Global se soma ao grupo de pessoas e organizações que, em carta aberta às autoridades competentes,  pedem a devida investigação da denúncia feita pela liderança dos entregadores e ativista, Paulo Roberto da Silva Lima, conhecido como Paulo “Galo”, líder dos Entregadores Antifascistas, de tortura praticada por policiais militares em um Batalhão da Polícia Militar na cidade de São Paulo, no dia 15 de fevereiro de 2023.

Eu seu perfil nas mídias sociais, Galo relatou que tudo começou quando foi abordado por não utilizar capacete. Ele relata que foi agredido por policiais militares na via e depois na delegacia. O motoboy contou que os policiais também fizeram filmagens das agressões e teriam se lembrado de seu envolvimento no incêndio da estátua do bandeirante Borba Gato, em julho de 2021, em São Paulo. “Começaram a me agredir, me espancar, fazer filmagem minha, sendo humilhado no meio deles, para mandar nos grupos de WhatsApp. Os caras me queimaram com o equipamento lá que parecia um esmeril. Só que era de plástico, girava muito rápido. Eles encostavam no meu braço e queimavam”, relatou.

 

 

Leia a carta na íntegra abaixo.

 

06 de Março de 2023, São Paulo – Brasil

 

Carta Aberta: Justiça e proteção a Paulo Galo

 

É com extrema preocupação e senso de urgência que nós, agentes públicos, pesquisadores e pesquisadoras, lutadoras e lutadores sociais, e organizações de direitos humanos, vamos à público exigir que a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo, a Corregedoria da Polícia Militar do Estado de São Paulo, o Ministério Público, o Ministério dos Direitos Humanos e o Ministério da Justiça garantam uma célere investigação à denúncia feita pela liderança dos entregadores e ativista, Paulo Roberto da Silva Lima, conhecido como Paulo “Galo”, de tortura praticada por policiais militares em um Batalhão da Polícia Militar na cidade de São Paulo, no dia 15 de fevereiro de 2023, das 6 da manhã até o meio-dia. 

 

Trata-se de uma preocupante tentativa de intimidação e retaliação criminosa à luta dos trabalhadores e trabalhadoras e um atentado contra as garantias básicas do Estado Democrático de Direito. Tendo em vista o caráter dos agentes envolvidos, é fundamental que a segurança e proteção de Paulo Galo e sua família estejam garantidas ao longo das investigações. O Estado não pode ser conivente com qualquer forma de violência, sobretudo vinda de agentes públicos, tendo a obrigação de investigar o ocorrido na forma da lei.

 

De acordo com a ONG Global Witness, nos últimos dez anos, o Brasil foi o país que mais assassinou ativistas e líderes comunitários no mundo. É premente que as autoridades competentes, no nível estadual e federal, interrompam essa trajetória nefasta e previnam possíveis novos desfechos trágicos. Galo tem se destacado como uma das principais lideranças dos entregadores e da juventude negra e periférica. As referências diretas a suas atividades políticas durante a sessão de tortura traduzem as atitudes violentas do Estado em condutas antissindicais que recaem, direta ou indiretamente, sobre a organização coletiva dessa categoria, e em mais um capítulo do intensamente denunciado genocídio contra a juventude negra e periférica brasileira. Trata-se de violação de direitos humanos e garantias fundamentais do cidadão em face do Estado policial, além de um ato ofensivo à liberdade sindical e à representação coletiva dos entregadores.