Ouça a entrevista de Débora Maria da Silva para o Podcast da Justiça Global

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Justiça Global apoia o movimento Mães de Maio na luta por justiça e reparação há 15 anos

 

“O sangue dos nossos filhos não será mais usado para alimentar o sadismo dessa máquina de moer pessoas pobres e negras nesse Brasil”. Essa é uma das falas de Débora Maria da Silva, fundadora do movimento Mães de Maio, para o podcast Vozes e Reividicações, lançado nesta segunda-feira, 24, nas principais plataformas de áudio online.  Há 15 anos, Débora luta por justiça e o não-esquecimento do crime que chocou o Brasil e segue sem solução ainda hoje. O programa traz ainda a participação de Rute Fiuza, do movimento Mães de Maio do Nordeste.

Em Maio de 2006, o Brasil assistia a um massacre de uma ação orquestrada entre grupos de extermínio e o Estado brasileiro, nas periferias de São Paulo e da Baixada Santista. Cerca de 564 pessoas foram mortas covardemente nos chamados Crimes de Maio. Entre as vítimas está Rogério Silva, filho de Débora Maria que, com Ednalva Santos, Vera Freitas, Vera Gonzaga (Verinha, in memorian), entre outras mulheres que também tiveram seus filhos mortos pelo Estado naquele contexto, fundou o movimento Mães de Maio. O movimento travou uma luta que jamais será esquecida e virou semente em diversas regiões do país.

Mães de vítimas do Estado encontraram no movimento um alicerce. Desde então, elas ecoam suas vozes em memória de seus filhos por justiça e para que os crimes que os vitimaram não sejam esquecidos e não se repitam.

Nós, da Justiça Global, reiteramos o nosso compromisso com as mães que, nas palavras de Débora Silva, «vão parir uma nova sociedade». Acreditamos na luta pelo útero e expressamos o nosso apoio ao movimento Mães de Maio! Acompanhe o 11º episódio do Podcast Vozes e Reivindicações, por meio do link a seguir:

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Relatório

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Em 2011, a Justiça Global lançou em parceria com a Clínica Internacional de Direitos Humanos da Faculdade de Direito de Harvard, o relatório São Paulo Sob Achaque: corrupção, crime organizado e violência institucional em Maio de 2006. O documento traz uma análise criteriosa e aprofundada sobre a ação policial e denuncia problemas estruturais de Segurança Pública de São Paulo.

O relatório, divulgado em inglês e português, apresenta centenas de documentos, muitos deles sigilosos, entrevistas e processos criminais sobre as mortes. Trata-se de um raio-x esmiuçado da ação que fora sido orquestrada por autoridades às vésperas do Dias das Mães, em 2006.