Vila Autódromo: Os alicerces da luta não serão abalados

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Trator é usado para demolir associação de moradores nesta quarta-feira, dia 24. Foto de Daniela Fichino.

A Cidade do Rio de Janeiro está a poucos meses de sediar os Jogos Olímpicos, um evento divulgado como um marco de transformação do município. Todavia, ao contrário da propaganda oficial, que busca mostrar como essas mudanças são benéficas, o que se vê é um legado de exclusão que talvez tenha como sua maior marca a violação do direito à moradia. Entre os milhares de casos de famílias que perderam suas casas, a história da Vila Autódromo se destaca como exemplo de resistência, mas também de como o Poder Público pode trabalhar descaradamente para atender interesses privados, em detrimento das garantias universais da população. Na manhã desta quarta-feira, dia 24, mais uma vez a comunidade amanheceu cercada de guardas municipais, que estavam lá para garantir que a associação de moradores fosse colocada ao chão, de forma completamente injustificada.

 

Os argumentos para a remoção da Vila Autódromo mudaram diversas vezes no decorrer dos anos, com versões fraudulentas que logo eram abandonadas por não corresponder a realidade. Nas últimas declarações públicas do prefeito Eduardo Paes sobre a comunidade, consta que a retirada das famílias é necessária pelo alargamento de pistas próximas e para a construção de um estacionamento, que nunca esteve presente no projeto do Parque Olímpico, que fica ao lado da vila e que, após os jogos, receberá empreendimentos imobiliários de luxo. A intransigência da prefeitura ao lidar com os moradores mostra-se ainda mais clara frente à existência de um plano de urbanização da comunidade, construído pelos próprios moradores em parceria com universidades. O plano foi ganhador do Urban Age Award, premiação organizada pelo Deutsche Bank e pela London School of Economics. Ele deixa claro que a permanência das famílias não somente é possível, mas também é uma opção mais barata do que a remoção.

 

Os moradores, entretanto, não desistem de lutar por seus direitos. São cerca de 50 famílias que ainda resistem em suas casas. A edificação que foi hoje demolida, a sede da associação de moradores, acumulava um pouco da trajetória de luta e mobilização da comunidade. A construção foi abaixo, mas os alicerces em que estão ancoradas as forças de luta da Vila Autódromo nunca serão abalados.

 

A Justiça Global permanece ao lado da Vila Autódromo em sua luta incessante para a garantia de seus direitos.

 

Podem derrubar a associação, mas a Vila Autódromo fica!

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