10 anos dos Crimes de Maio: pela luta das mães, uma data que jamais será esquecida

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maes de maioNesta semana completam 10 anos dos Crimes de Maio de 2006, quando policiais e grupos de extermínio ligados à Polícia Militar de São Paulo promoveram o assassinato de 562 pessoas. Foi a partir deste episódio que nasceu o movimento Mães de Maio, que reúne familiares de vítimas de violência do Estado. A imensa maioria das vítimas, jovens negros moradores de favelas e periferias, foram executadas sumariamente no intervalo de pouco mais de uma semana. A Justiça Global e a Clínica de Direitos Humanos de Havard lançaram um relatório,e m 2011, registrando o contexto antes, durante e depois dos crimes. Chamado «São Paulo sob achaque», ele pode ser visto aqui.

Uma série de eventos estão programados em São Paulo e no Rio de Janeiro para relembrar a luta das mães e familiares que, 10 anos depois, continuam incessantes na luta por justiça. Para Monique Cruz, pesquisadora da Justiça Global, relembrar casos como esse é uma importante ferramenta no enfrentamento às violências cometidas pelo Estado. «É uma luta contra a invisibilização da dor das pessoas negras e pobres. Dor essa que surge pela morte física, mas também com a implementação de políticas públicas que afetam diretamente a vida dessa população, como é o caso das políticas de segurança, sempre pautadas na lógica da guerra e na construção dessas pessoas como inimigas», afirma.

Uma das principais bandeiras do movimento Mães de Maio, com o apoio de organizações que atuam na defesa dos direitos humanos, tem sido o pedido de federalização dos Crimes de Maio. A demora do pedido de federalização foi motivo de denúncia à Organização dos Estados Americanos em 2014, pedindo que a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) analisasse o caso.

Nesta segunda-feira (9), a Procuradoria Geral da República encaminhou ao Superior Tribunal de Justiça um pedido para que a polícia federal investigue uma chacina ocorrida no contexto dos Crimes de Maio. O documento, assinado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, argumenta que as medidas de investigação tomadas pelo Estado de São Paulo foram insuficientes.

A agenda de eventos marcadas a partir desta quinta-feira (12) inclui atos político-culturais e o pré-lançamento do Memorial dos Crimes de Maio. Mães e familiares de vítimas da violência policial no Rio de Janeiro organizaram uma caravana para participar das atividades programadas em São Paulo pelas Mães de Maio.

Confira a programação:

EM SÃO PAULO

• Pré-Lançamento do Memorial dos Crimes de Maio
Quinta-feira (12/5), às 14h

Nesta Quinta-feira (12/5), partir das 14hs, ocorrerá o Pré-Lançamento Simbólico do Memorial dos Crimes de Maio e do Genocídio Democrático no Quilombola Centro Cultural Jabaquara – com a participação das Mães de Maio, da Rede Nacional de Mães e Familiares, de Convidados Internacionais + Intervenção Cultural Especial do Bloco Afro Ilú Obá De Min de Mulheres Negras, e Exposição «Corpa Negra», da guerreira Carolina Teixeira (ÚteroUrbe) dos Rabiscos da Carolzinha e do Coletivo Fala Guerreira.

https://www.facebook.com/events/1726993840858757/

• Ato político-cultural na Quadra da Gaviões da Fiel
Quinta-feira (12/5), às 19h

Ato Cultural na Quadra dos Gaviões da Fiel: em homenagem a todas as mães e familiares de vítimas da violência policial, contra os ladrões de merenda e pela CPI das Merendas; contra a criminalização das torcidas organizadas e dos movimentos sociais; em apoio às ocupações autônomas dos secundarista.

Com a presença das Mães de Maio, do rapper Eduardo Taddeo, do grupo Filosofia De Rua, dentre outros

https://www.facebook.com/events/230031950708738/

• Cordão da Mentira pelo fim do terrorismo do Estado
Sexta-feira (13/05), às 15h

O Cordão da Mentira sairá este ano no próximo dia 13 relembrando os 10 anos dos Crimes de Maio, quando o Estado de São Paulo usou seu braço armado para massacrar civis nas periferias. Foram mais de 500 mortes de jovens periféricos em apenas duas semanas. Uma retaliação covarde da polícia aos ataques do PCC. Este que foi o maior massacre do período dito democrático no Brasil jamais foi punido ou investigado. Pelo contrário o Estado de São Paulo e seu Ministério Público arquivaram a maioria dos casos e impediram uma contagem precisa dos mortos. O Governo Federal por sua vez negou-se a federalizar as investigações.
Aos mortos das periferias de São Paulo não se dá o direito de justiça e verdade.
Por isso, neste ano, homenagearemos as guerreiras Mães de Maio, movimento de familiares de vítimas do Estado que exigem respostas pelos massacres impostos ao povo pobre pela polícia e a sua desmilitarização.
Com certeza de impunidade, a polícia segue matando indiscriminadamente jovens periféricos, em sua maioria negros, destruindo famílias, apagando sonhos, deixando dezenas de crianças órfãs ano após ano, aumentando cada vez mais a miséria e revolta da população que oprime.
Vamos para as ruas escrachar o aparelho repressivo do governador Geraldo Alckmin, principal responsável pelos crimes da polícia paulistana, a omissão do governo federal e o judiciário que assiste calado às reiteradas chacinas nas periferias.
Em um momento político sombrio como o que vivevmos, lembrar estes crimes é também recordar os mais de cinco séculos de massacres contínuos contra os povos indígenas, camponesas, quilombolas e periféricos.

https://www.facebook.com/events/1175546175803253/

NO RIO DE JANEIRO

• Mês das Mães – Mês de Luta: ato em memória pelos 2 anos da morte de Johnatha
Sábado (14/05), às 15h

As Mães de Manguinhos, o Fórum Social de Manguinhos, o Movimento Mães de Maio, o Fórum de Juventudes RJ e a Rede de Comunidades contra a Violência, dando a continuidade a semana de luta do Movimento Mães de Maio iniciada em São Paulo de 11 a 13 de maio , vem convidar a todos e todas para mais um encontro de luta, memória e de reivindicação de justiça.

https://www.facebook.com/events/862960280498226/

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