UM ANO DA CHACINA DO JACAREZINHO: Queremos Justiça! Queremos reparação!

Um ano da Chacina do Jacarezinho: Queremos justiça!

Um ano da Chacina do Jacarezinho: Queremos justiça!

UM ANO DA CHACINA DO JACAREZINHO: Queremos Justiça! Queremos reparação!

Por Gizele Martins e Monique Cruz

É dia 6 de maio e completa um ano de uma das maiores e mais letais chacinas ocorridas no Rio de Janeiro que vitimou 28 pessoas na Favela do Jacarezinho, na Zona Norte da cidade. A Chacina do Jacarezinho não pode cair no esquecimento e, por isso, inúmeros movimentos sociais (negros, de favelas e de familiares vítimas da violência estatal) ocupam hoje as ruas da favela clamando por justiça. Na caminhada que está sendo realizada nesta tarde também será inaugurado um memorial para lembrar as vítimas da chacina.

Durante essa semana, foi veiculado nas mídias que 23 dos casos desta chacina foram arquivados pelo Ministério Público (MP). Ou seja, aqueles que deveriam fiscalizar a atividade policial, demonstram mais uma vez que estão ao lado das forças policiais. Importante ressaltar que as favelas e periferias do Rio de Janeiro sofrem historicamente com operações policiais que muitas vezes resultam em chacinas.

Na maioria das vezes, as vítimas são os jovens negros e os casos acabam sempre sendo arquivados, mostrando o lado que a estrutura estatal escolhe, o lado dos que matam. Após a barbaridade de um massacre como este, outras vítimas continuam em luta brigando por justiça e quase sempre são as mulheres mães/irmãs/esposas que ficam por anos tentando reparação do Estado. Assim, se mantém a engrenagem genocida que adoece e mata comunidades inteiras em curto, médio e longo prazos.

Nós, da Justiça Global, mais uma vez repudiamos a ação racista desse Estado e de suas forças policiais, repudiamos também a decisão do MP em arquivar a maior parte dos casos. Depois de um ano da chacina, continuamos junto à outras organizações de direitos humanos lutando para que o Estado garanta uma investigação célere, transparente e imparcial, conduzida por órgão independente, alheio às forças de segurança e instituições públicas envolvidas na operação, a reparação integral dos familiares das vítimas e que seja criado um plano de redução da letalidade policial no Rio de Janeiro.