Conselheira e ex-diretora da Justiça Global, Andressa Caldas recebe Medalha Pedro Ernesto

Andressa é vice-presidente do Conselho Deliberativo da Justiça Global e Diretora de Relações Institucionais do Instituto de Políticas Públicas em Direitos Humanos do MERCOSUL (IPPDH), onde também ocupou o cargo de Diretora Executiva.

Foto: Daniela Fichino/Justiça Global e Pablo Vergara

Em reconhecimento à sua incansável trajetória como defensora de direitos humanos, a ex-diretora executiva e atual conselheira da Justiça Global Andressa Caldas recebeu a Medalha de Mérito Pedro Ernesto na noite da última sexta-feira (27), a mais alta honraria concedida pela Câmara Municipal do Rio de Janeiro.  A premiação foi criada em 1980 para homenagear pessoas e instituições que se destacam na sociedade brasileira ou internacional.

A homenagem, de iniciativa da vereadora Mônica Benício, foi compartilhada com a ativista Ana Paula  Oliveira, mãe de Johnatha de Oliveira Lima, assassinado pelo Estado brasileiro aos 19 anos, e fundadora do coletivo Mães de Manguinhos; e a jornalista investigativa na área de segurança pública Vera Araújo.

A história de Andressa Caldas e a da Justiça Global caminham lado a lado. Conforme destacado pela atual diretora-executiva da organização, Glaucia Marinho, ao entregar o prêmio, a atuação de Andressa é um reflexo das principais lutas pelos direitos humanos no Brasil pós-redemocratização. “Andressa, você formou uma organização múltipla, comprometida e viva. Estar aqui hoje é celebrar uma forma de fazer política que é profundamente ética, coletiva e comprometida com uma transformação profunda da sociedade, sem negociações”, declarou Glaucia.

Para a Justiça Global, foi uma honra acompanhar de perto essa cerimônia que reconhece a trajetória consistente e combativa da nossa vice-presidenta na luta por direitos humanos.

Curitibana, Andressa chegou ao Rio de Janeiro em abril de 2001, trazida pelas mãos de Sandra Carvalho, fundadora e atualmente coordenadora do programa de Proteção de Defensoras/es de Direitos Humanos e da Democria da Justiça Global, para iniciar sua jornada na organização como advogada e, posteriormente, como diretora. Ela foi parte da equipe da instituição entre 2001-2014 e assumiu a vice-presidência do Conselho Deliberativo em 2022.

Foto: Daniela Fichino/Justiça Global e Pablo Vergara.

Andressa definiu a Justiça Global como uma organização “radicalmente necessária” em um país que ainda convive com graves violações de direitos; Ela ressaltou que direitos humanos não são abstrações, mas “práticas coletivas diárias” e disputas permanentes. Atualmente atuando na Argentina como diretora-executiva do Instituto de Políticas Públicas em Direitos Humanos do Mercosul, Andressa mantém seu vínculo com as lutas locais, reforçando a importância de “irmanar” os horizontes latino-americanos contra o avanço do fascismo e da extrema-direita na região.

Em seu discurso, a advogada, professora e mestre em Estudos Latino-Americanos pela Universidade de Londres relembrou casos emblemáticos que marcaram sua passagem, como: a luta pela titulação dos territórios quilombolas de Alcântara (MA), o enfrentamento a grupos de extermínio e milícias rurais na divisa entre Pernambuco e Paraíba, além da atuação estratégica no sistema internacional, que resultou em condenações do Estado brasileiro na Corte Interamericana de Direitos Humanos.

Ela destacou também a importância política da memória: “A luta por memória não é uma luta do passado, é uma agenda do futuro se a gente quiser construir uma sociedade e uma nação verdadeiramente democrática”.

Encerrando as homenagens da organização, Glucia Marinho utilizou a filosofia africana Ubuntu (eu sou porque somos) para descrever a relação com a homenageada: “Eu sou porque a Andressa é”. A cerimônia foi um lembrete de que a luta por uma sociedade livre do racismo, do machismo e da exploração capitalista é um projeto coletivo e inegociável. Ao final, Andressa dedicou sua medalha a “todas as nossas rebeldias”, convocando todos a despertarem para a construção de um mundo mais justo e digno.

Foto da capa: Katja Schilirò.

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