|  Por Mario Campagnani

Falta de transparência já é uma marca da intervenção militar federal no Rio de Janeiro

Foto EBC

O interventor Braga Netto

Seguindo a linha adotada pelo Governo Federal, o interventor da segurança pública do Rio de Janeiro, o general Walter Souza Braga Netto, deu hoje mostras de como serão suas ações: sem transparência alguma. A coletiva de imprensa hoje (dia 27) foi marcada pela ausência de respostas, assim como pela impossibilidade de perguntas. O comandante da pasta de segurança apresentou seu plano para o Estado: seis slides com as estruturas que ficaram sob controle dos militares, uma informação já amplamente conhecida. Não foram dadas ou esclarecidas quaisquer outras questões sobre o trabalho das Forças Armadas. Na coletiva, ele apresentou também o novo secretário de Segurança do Rio, o general Richard Fernandes Nunes.

Não sabemos ainda se ocorrerão mudanças na política de segurança estadual. Braga Netto afirmou apenas que não haverá ocupação permanente de favelas pelas Forças Armadas durante a intervenção, mas que elas darão apoio às ações pontuais. Tudo muito nebuloso. Sobre as UPPs, o projeto segue, em suas palavras: “Num primeiro momento, toda a sistemática será mantida. Depois, o General Richard vai analisar possíveis mudanças”, afirmou o general, que fez questão de ressaltar que o Rio de Janeiro é um”laboratório para o país”, o que levanta grandes preocupações sobre ações parecidas em outros estados.

O novo secretário de Segurança esteve à frente da ocupação militar do Conjunto de Favelas da Maré de dezembro de 2014 a fevereiro de 2015. O emprego das Forças Armadas na Maré, Alemão, Providência e em outras áreas periféricas do estado só gerou mais violência. Na Maré, foram gastos mais de R$ 600 milhões na ocupação, que deixou como saldo mortos e pessoas permanentemente incapacitadas pelos militares.