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Justiça Global manifesta preocupação com a eleição de Jair Bolsonaro à presidência da República

A Justiça Global vem a público se manifestar preocupação com a eleição de Jair Bolsonaro à presidência da República. Jair Messias Bolsonaro foi deputado federal por sete mandatos e esteve envolvido em diversos episódios de machismo, racismo e LGBTfobia. No período eleitoral, sua campanha foi marcada também por declarações que punham em xeque as instituições democráticas, que afirmavam a perseguição por divergência política e falas que desqualificavam a luta dos movimentos populares, tendo chegado a dizer que no seu governo pretenderia “acabar com o ativismo”.

O Presidente eleito pretende implementar um projeto econômico liberal, que prevê, dentre outros aspectos, a manutenção da Emenda Constituconal 95 – congelamento dos gastos públicos com políticas sociais por 20 anos, a privatização de empresas estatais, a reforma da previdência social e a flexibilização na legislação trabalhista.   

O projeto defendido por Jair Bolsonaro ameaça política e economicamente os direitos humanos. Se por um lado os discursos do Presidente eleito representam a legitimação de diversas agressões que já atingem indígenas, quilombolas, mulheres, negros, trabalhadores rurais, população LGBTI, dentre outros, Brasil afora, por outro as diversas medidas econômicas anunciadas representam uma precarização  ainda maior das condições de vida de grande parte da população brasileira. Além disso, há ainda o risco de retrocessos nas conquistas sociais alcançadas, como a política de reserva de vagas para negros e de demarcação e titulação de terras indígenas e quilombolas, por exemplo. A consequência é a ampliação das desigualdades estruturais da sociedade brasileira.

Entendemos que a luta por direitos humanos é uma luta por dignidade humana; é razão e conseqüência da luta pela democracia e justiça. Sendo assim, a Justiça Global reafirma seu compromisso com as lutas dos movimentos populares e a defesa dos direitos contidos na Carta Constitucional de 1988.

Como sempre, seguiremos trabalhando atentos e fortes na proteção e promoção dos direitos humanos, no fortalecimento da sociedade civil e da democracia . Seguiremos contribuindo com o fortalecimento e ampliação de políticas públicas, denunciando violações de direitos humanos, seja cometida pelo Estado, seja perpetrada por atores privados.