Nota de pesar pelo falecimento de Maria do Carmo Silva

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A Justiça Global lamenta profundamente o falecimento de Maria do Carmo Nascimento da Silva, ocorrido na última quinta-feira (23), aos 83 anos, e manifesta sua solidariedade aos familiares, amigas e amigos neste momento de dor.

Maria do Carmo dedicou os últimos anos de sua vida à incansável busca por justiça para seu filho, José Carlos da Silva, torturado e morto em 24 de julho de 2006 na Casa de Custódia Pedro Melo, hoje parte do Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, Zona Oeste do Rio de Janeiro.

José Carlos era um homem negro e preso provisório. Permaneceu quatro meses sem receber visitas e chegou a enviar dez cartas denunciando as torturas que sofria dentro da unidade. Sua morte não foi comunicada à família e ele foi sepultado como indigente. O caso nunca foi investigado.

Em 2011, a Justiça Global levou o caso à Comissão Interamericana de Direitos Humanos, denunciando as graves violações cometidas pelo Estado brasileiro.

Mesmo já enfrentando um câncer, Maria do Carmo esteve diversas vezes no escritório da Justiça Global para acompanhar o andamento do caso, compartilhar sua história e reafirmar sua determinação por memória, verdade e justiça.

Infelizmente, ela partiu sem ver a responsabilização do Estado pela tortura e morte de seu filho. Sua trajetória, no entanto, permanece como exemplo de coragem, dignidade e resistência diante da violência estatal. Maria era uma pessoa doce e amorosa apesar da violência que enfrentou. Sua luta foi para que ninguém mais passasse por isso.

Na foto, registrada em 2025, da esquerda para a direita: sua neta Crislane, Sandra Carvalho, Maria do Carmo e Monique Cruz.

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