Amelinha, presente! Hoje e sempre!
O Brasil se despede nesta terça-feira (15) de Maria Amélia de Almeida Teles, a Amelinha Teles, defensora dos direitos humanos, jornalista, escritora, educadora popular e referência na luta feminista e pela democracia no país.
Nascida em Contagem (MG), Amelinha integrou o Partido Comunista do Brasil (PCdoB) durante a ditadura militar. Em 28 de dezembro de 1972, aos 27 anos, foi presa pela repressão em São Paulo, junto com seu marido, César Augusto Teles, e seu companheiro de militância Carlos Nicolau Danielli. Sua irmã, Criméia de Almeida, também foi presa no mesmo período. Grávida de cerca de sete meses, Criméia havia atuado na Guerrilha do Araguaia.
Amelinha e César foram levados ao DOI-Codi de São Paulo e submetidos a torturas. Amelinha testemunhou o assassinato de Danielli. Seus filhos, Edson e Janaína, então com 4 e 5 anos, foram sequestrados pelos agentes da repressão e levados ao local, onde viram os pais torturados.
Depois da prisão, Amelinha transformou a experiência da violência de Estado em luta por memória, verdade e justiça. Foi uma das fundadoras da Comiss15ão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos e integrou a Comissão Estadual da Verdade de São Paulo – Rubens Paiva.
Também teve papel fundamental na construção do movimento feminista brasileiro. Participou do jornal Brasil Mulher, na década de 1970, da luta por creches e foi uma das fundadoras da União de Mulheres de São Paulo, em 1981. Atuou ainda no chamado Lobby do Batom, articulação que contribuiu para a conquista de direitos das mulheres na Constituição de 1988. Coordenou o projeto Promotoras Legais Populares, voltado à educação popular em direitos.
Em 2005, a família Teles moveu ação declaratória contra Carlos Alberto Brilhante Ustra. Em 2008, a Justiça reconheceu sua responsabilidade pelas torturas sofridas pela família, em decisão histórica.
A trajetória de Amelinha é parte da história das lutas por democracia, memória, justiça e direitos humanos no Brasil. Que seu legado siga ecoando e inspirando mulheres na luta por direitos, nas famílias que buscam verdade e justiça e em todas e todos que defendem a democracia.
Amelinha Teles, presente! Hoje e sempre!