O defensor de direitos humanos em Anapu (PA) e companheiro de luta de Dorothy Stang foi condenado injustamento a mais de 19 anos de prisão por sua atuação contra a grilagem de terras.
Posicionamento
A Justiça Global manifesta solidariedade a José Amaro Lopes, o Padre Amaro, ex-pároco de Anapu (PA), defensor de direitos humanos e atuante junto à Comissão Pastoral da Terra (CPT). Após o assassinato da missionária Dorothy Stang, em 2005, Padre Amaro permaneceu em Anapu e deu continuidade à luta pela defesa de trabalhadoras/es rurais, da floresta e pela retomada de terras públicas griladas.
No dia 11 de setembro, o juiz Victor Barreto Rampal, da comarca de Anapu, condenou Padre Amaro a 19 anos e 6 meses de prisão pelos crimes de extorsão e organização criminosa. Ele permanece em liberdade enquanto os recursos são analisados pelos tribunais superiores.
O processo teve início em 2017, após articulação de um grupo de fazendeiros coordenado pelo grileiro Silvério Albano Fernandes. Segundo a nota assinada por movimentos sociais e entidades de direitos humanos, a perseguição contra Padre Amaro está relacionada à sua atuação, junto à CPT, em denúncias de grilagem de terras públicas, desmatamento ilegal e violência no campo na região de Anapu.
A CPT Pará e as organizações signatárias afirmam que Padre Amaro foi criminalizado como forma de impedir a continuidade de seu trabalho. Entre as ações de sua trajetória está a mobilização que contribuiu para que o Incra retomasse, em 2018, o lote 74 da Gleba Bacajá, apontado como área grilada por Silvério Fernandes.
A Justiça Global se soma à solidariedade manifestada pela CPT Pará, SDDH, Instituto José Cláudio e Maria, Coletivo Veredas, Irmãs de Notre Dame de Namur, MST, CEPASP, Comitê Dorothy Stang, Movimento Xingu Vivo e Campanha Contra a Violência no Campo.
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Defender quem luta por terra, território e direitos humanos não pode ser motivo de criminalização. Seguimos junto a Padre Amaro e às organizações que atuam pela reversão da condenação e pela proteção de defensoras e defensores de direitos humanos.
Foto da capa: Repórter Brasil.