O colegiado tem composição paritária entre governo e sociediade civil e vai acompanhar a implementação do Plano Nacional de Defensoras e Defensores de Direitos Humanos.
A Justiça Global foi uma das oito organizações não governamentais e movimentos sociais eleitas para compor o Comitê de Implementação, Monitoramento e Avaliação do Plano Nacional de Defensoras e Defensores de Direitos Humanos (ComitêPlanoDDH).
A eleição, conduzida na última quarta-feira (6) pelo Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH) e pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), avança na estruturação da governança paritária para iniciar a implementação do Plano Nacional de Proteção a Defensoras e Defensores de Direitos Humanos (PlanoDDH), instituído pelo Decreto nº 12.710/2025.
Também foram escolhidas: a Terra de Direitos, a Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Intersexos (ABGLT), o Movimento Nacional de Direitos Humanos, a Comissão Pastoral da Terra, a Artigo 19, a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) e o Movimento de Mulheres Camponesas (MMC).
Ao todo, o colegiado tem 16 cadeiras. As demais serão ocupadas por representantes do Poder Executivo Federal. As entidades eleitas terão um mandato de dois anos, sendo permitida uma recondução.
A Justiça Global será representada por sua diretora-executiva, Glaucia Marinho, com suplência de Sandra Carvalho, coordenadora do Programa de Proteção de Defensoras/es de Direitos Humanos e da Democracia da organização e que hoje também compõe o Conselho Deliberativo do Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, Comunicadores e Ambientalistas (PPDDH).
Marinho comenta que a eleição consolida a atuação de mais de 20 anos da Justiça Global no enfrentamento da violência contra defensoras/es e por políticas públicas eficazes de proteção, incluindo na co-fundação do Comitê Brasileiro de Proteção a Defensores/as de Direitos Humanos, coalizão de mais de 20 anos de história composta por quase 50 organizações.
“A participação social é um dos pilares da democracia e condição fundamnetal para o fortalecimento das políticas públicas. Como integrante do Comitê, nos comprometemos a atuar para que o Plano seja efetivamente implementado, com metas cumpridas e transparência, garantindo também que as medidas de proteção alcancem quem está na linha de frente da luta por direitos humanos e ambientais no Brasil”, declara Glaucia Marinho.
O PlanoDDH estabelece um plano de ação, com metas a serem cumpridas até 2035. Ele é composto por 23 objetivos estratégicos e 98 ações programáticas organizadas em três eixos: 1) proteção estatal, 2) proteção popular e 3) acesso a direitos e combate à impunidade.
Essas ações incluem, por exemplo, o fortalecimento do dever estatal, a ampliação de resposta, a sustentabilidade financeira e proteção em áreas de conflito, bem como apoio a práticas de proteção coletiva, incidência autônoma, educação e comunicação popular, além de diligência na investigação, julgamento e responsabilização, assistência jurídica integral e capacitação de agentes de segurança.
A sociedade civil atuará como controle social dessas ações no Comitê, assegurando que as diretrizes de proteção cheguem efetivamente a quem está em risco por sua atuação política e social.
Leia o texto completo da portaria.
“Nossa perspectiva é que o Comitê seja empossado na maior brevidade e inicie os trabalhos. O Brasil apresenta índices alarmantes de violações contra defensoras e defensores de direitos humanos, em especial contra lideranças indígenas e precisa fortalecer as suas estratégias de proteção e enfrentamento da violência”, observa Sandra Carvalho.
Resultado de um processo participativo inédito, o PlanoDDH foi elaborado pelo Grupo de Trabalho Técnico Sales Pimenta (GTT Sales Pimenta), em homenagem ao advogado e defensor de direitos humanos Gabriel Sales Pimenta, assassinado em 1982, em Marabá (PA), por sua atuação na defesa de trabalhadores rurais. O colegiado resultou de uma decisão da justiça federal e da condenação da Corte Interamericana de Direitos Humanos no caso de Sales Pimenta.
Segundo a pesquisa Na Linha de Frente, realizada pela Justiça Global e a Terra de Direitos e publicada em agosto, entre 2023 e 2024, uma pessoa foi atacada por defender direitos humanos no país a cada 36 horas, em média, sendo que a maioria das vítimas assassinadas atuava na defesa da terra, do território e do meio ambiente.